Toda essa merda que tá acontecendo no país graças a um governo que flerta com o fascismo tem me estressado: mas como não se estressar estando em sã consciência?

Sei que as pessoas tem o direito de não se manifestarem a respeito. Mas eu tenho direito de criticá-las por isso. E fico cada dia mais indignada com aqueles que não se colocam contra esses absurdos. Quem não se posiciona contra, não está então consentindo?
Me revoltam pessoas que têm certa influência, que tem milhares, milhões de seguidores e se calam.
A frase "o silêncio da Anitta é ensurdecedor" não virou meme a toa. A maior parte do público da Anitta é de mulheres e gays, além do enorme número de pessoas negras, considerando que ela faz um grande sucesso nas periferias. Minorias que desde sempre foram atacadas pelo senhor Jair Bolsonaro. Mas ela não criticou e não o repudiou no período eleitoral. Hoje, afirma não poder se posicionar por não entender de política e está tentando corrigir isso aprendendo alguns conceitos com Gabriela Prioli. Acho louvável, mas não precisa entender muito de política pra rechaçar as falas racistas, homofóbicas e machistas do presidente.
O caso da Anitta foi mais comentado, afinal ela é uma celebridade conhecida nacional e internacionalmente.

No microverso de conteúdos que eu consumo, quem me decepcionou foi Rayza Nicácio, esta que não muito antes das eleições havia se auto declarado negra, chegou a fazer vídeos intitulados "precisamos falar sobre o racismo". E por abordar este tipo de tema, foi até contratada pela Marvel para fazer publicidade para o filme Pantera Negra. Publicidade esta que poderia ter sido feita por outras youtubers, mais ativistas, de pele mais retinta e muito mais corajosas, que mais adiante, no mínimo aderiram ao movimento #elenão. Rayza, próximo ao segundo turno, sumiu. Quando ressurgiu fez a postagem mais em cima do muro que eu já vi em toda a minha vida. De lá pra cá, não fez mais vídeos relacionados ao movimento negro. Acho que ela mesma se tocou de que, se você não tem peito pra arcar com o ônus do posicionamento, é preferível abrir mão do bônus e se calar.
Nem vou entrar no mérito do medo em perder seguidores e patrocínios. Creio que Rayza, que é evangélica, talvez prefira não se opor ao atual presidente afim de evitar desconforto com membros de sua congregação e familiares que apoiam o verme, afinal as igrejas foram as principais responsáveis por sua eleição. Ele até fingiu se converter para angariar mais votos.

Recentemente um deputado do PSL, partido do qual o senhor presidente fazia parte, começou uma caça aos anti-fascistas, o que por si só já é um completo absurdo. Mas ao acessar tal lista, eu notei que não é preciso ser totalmente engajado em grupos Antifas pra ter o nome nela. Basta curtir algumas páginas contra o fascismo no Facebook ou ter feito algumas postagens de oposição aos nazifascistas pra ter seus dados nela. Ou seja, eu, meu noivo e vários de meus amigos poderíamos estar estampados lá. Portanto já estão começando a nos caçar para nos calar.

Talvez, quem optou por não falar nada, muito em breve não terá mais escolha já que o silêncio passará a ser a regra.

Ateia em tempo integral. Artista nas horas vagas. Aprendiz de Marxismo.

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